seções nostalgia
esse dia foi inesquecível. cheguei na escola, provavelmente atrasada e já havia começado os preparativos pra uma festa junina que ia ter. não me lembro muito bem como me escolheram pra ficar no meio dessa turba, vestida de balão. 
não me lembro mesmo, se foi uma lisonja ou castigo, se foi porque eu era novata na escola ou se porque meu aniversário é em junho. mas sei que a professora não se tocou de que eu não tava entendendo nada. fiquei sem entender. sei que ficaram depois girando em volta de mim, algum ritual estranho mas nem me lembro se tentaram ou não me fazer voar em chamas. acho que dessa vez, não. mas sei que isso foi em tarumirim, pra onde fomos depois de sair de carangola. sei que eu era feliz e que já comia sozinha, usava conga e pulava carnaval vestida de palhaço no clube vivaldão.
Escrito por Amanda Nabas às 20h38
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- pai.... tô com sono... conta uma história pra eu dormir? - zzzzzz....
Escrito por Amanda Nabas às 20h30
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Escrito por Amanda Nabas às 20h27
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homenagem à frança. texto mastigadim
A Trilogia das Cores de Krzystof Kieslowski por Amanda Nabas  bela iréne jacob (valentine) na cena final de "Trois Couleurs Rouge" Com uma câmera introspectiva que se importava antes de tudo em humanizar a tela, Krzistof Kieslowski dirigiu antes da trilogia outros três filmes famosos no Brasil: “Não Amarás”, “Não Matarás” e “A Dupla Vida de Verónique”, todos três disponíveis em vídeo e que são obrigatórios para se conhecer a alma desse diretor, que tristemente se decepcionou com o cinema depois de filmar A Fraternidade é Vermelha, que veio a ser sua última obra. Krzistof declarou que não mais queria saber de trabalhar com a sétima arte e nem sequer via mais filmes, disse que o cinema não possuía emoção suficiente para ele e se dedicou à pintura; apenas por poucos meses, vindo a falecer de câncer logo depois, no fim de ’96. Mas emoção é o que há de sobra nestas três pequenas obras-primas que pintam um retrato muito poético, ora pessimista sobre a Europa unificada do fim do século XX. Sobre essa trilogia das cores (da bandeira da França), Kieslowski declarou tê-los feito contra a indiferença, em especial o último (e certamente o melhor), A Fraternidade é Vermelha. Seus filmes são respostas sensíveis e muitas vezes tímidas à frieza do mundo. Os retratos das almas de cada personagem se ligam e culminam com uma das mais belas passagens do cinema, o desfecho d´A Fraternidade é Vermelha, onde há uma simbólica libertação do sofrimento de cada um. Mas comecemos em ordem, pois para se entender o espírito da trilogia é necessário que se assista aos três filmes, na ordem certa, e de preferência, seguidamente. ”A Liberdade é Azul” conta a estória de Julie, vivida por Juliette Binoche, que acaba de perder o marido e a filha num acidente de carro e com isso começa a ver as coisas de modo diferente, percebendo os outros seres ao seu redor, descobrindo o prazer em se desfazer de tudo, por mais absurdo que isso possa parecer a alguém em luto.

a compaixão de juliette binoche erm "A liberdade é azul" A morte não é tratada no filme apenas como perda, mas como simulacro da tal liberdade e a fita tem interrupções, intermezzos de quase dois segundos em determinadas cenas, onde tudo escurece e começa uma música composta pelo marido falecido, o que significaria uma pausa, um pequeno vôo da alma da personagem, uma pausa no dia-a-dia atribulado cheio de pequenos problemas aqui e ali, onde a personagem parece nunca se encaixar. É como se ao perder as pessoas que mais amava, Julie se atirasse com paixão, porém com serenidade a uma reflexão onde se permite uma reaproximação com a mãe, com a vizinha (que representa um antagonismo ao personagem de Julie, por ser uma stripper sem qualquer laço afetuoso com ninguém), com um antigo amor e até com uma amante de seu falecido marido. Buscando algo de grandioso na vida, ela se surpreende com nenhuma novidade e parece estar nascendo de novo. É essa a impressão que se tem nas cenas em que ela nada (e ela nada o filme inteiro) , na mais azul piscina já filmada até hoje. É apoteótica a fotografia deste primeiro filme da trilogia (assim como de todos eles) e ao final da película, você está convencido de que a liberdade é sim, azul, muito azul. O segundo, “A Igualdade é Branca” é tido por muitas pessoas, justamente, como o menos importante dos três filmes e o menos importante de Kieslowski em toda sua carreira. Na tentativa de fazer uma comédia, o diretor acabou fazendo dele o mais deprimente e mordaz. É cômico, mas extremamente cruel ao retratar a vida de Karol, um polonês que após ser importunado até a loucura e abandonado pela mulher Dominique, (Julie Delpy) Ele se encontra na fria Paris sem falar uma palavra de francês. A situação de nenhum imigrante é fácil em nenhum lugar do mundo, mas no caso de Karol a banda vai tocar de modo diferente. Ele enriquece e começa então a tramar uma vingança para Dominique, querendo que ela sofra, apesar de amá-la loucamente. O filme fica doentio e perturbador ao lidar com esse paradoxo do amor X ódio, riqueza e miséria, fazendo uma clara analogia ao fim do comunismo. cena de "A Igualdade é Branca"
Tratar do tema de imigrantes em uma trilogia que homenageia os ideais da Revolução Francesa foi o trunfo de Kieslowski, que carregou no gelo e na neve para caracterizar o tom inóspito do filme. Neste vemos que apesar de ser o menos memorável dos três, é onde mais se esclarece a versatilidade de Kieslowski ao utilizar elementos visuais em ricas representações de desigualdade e desespero. Finalmente, “A Fraternidade é Vermelha”, dos três, o mais festejado, mas que não dá pra ser visto (não é recomendado, entenda-se) sem que se veja antes os outros dois. A Fraternidade conta a estória de Valentine e seu encontro com Rita, uma cadela por ela atropelada, cujo dono é um velho juiz aposentado vivido por Jean- Louis Trintignant, que distrai todas as suas horas ouvindo clandestinamente as conversas telefônicas de seus vizinhos. Valentine, docemente vivida por Iréne Jacob, decide levar a cadela Rita ao seu dono e assim conhece o velho juiz, amargurado e só. Nesse encontro, mais que acidental, se revela a face humana do filme, (e de Kieslowski) quando Valentine, apavorada com as atitudes e desesperanças do juiz, (que nem nome tem no filme e parece representar o próprio velho continente) arranca de seus olhos as lentes cor-de-rosa e passa de uma modelo fotográfico conformada e passiva, a uma mulher que quer enxergar a verdade, que é traída, sozinha e resolve agir contra as injustiças, as indiferenças do mundo. Fosse em Hollywood, Iréne Jacob vestiria uma capa, daria uma pirueta e se transformaria na mais nova heroína do cinema salvando Nova Iorque de um ataque aéreo; mas como isso é apenas mais um episódio do cinema nada fantástico de Kieslowski, ela se contenta em salvar do tédio absoluto um velho deprimido, uma cadela moribunda e um irmão viciado em drogas. Sem apelar para um lado piegas, o filme reúne no fim todas as características humanistas dos outros dois e tem o desfecho que merece. Sem cair nem um segundo o ritmo ou narração, A Fraternidade é Vermelha se firma como um dos melhores filmes de fim de século, um genuíno exemplo do cinema sério e invulgar de Kieslowski, que até hoje sabe emocionar.
Escrito por Amanda Nabas às 15h42
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one or two impressions
sonhei essa noite com o museu d'orsay, e lembrei que não escrevi nada sobre ele. aliás, eu quase nunca escrevo sobre coisas importante aqui. aí peguei meu caderninho de viagem de paris e fui ver. só escrevi garranchos sobre os museus que hoje nem compreendo. só me lembro o quanto eu estava indiferente por lá nesse dia. lembro como foi louco e áspero e delicioso estar indiferente a muita coisa em paris. não tem nenhuma forçação de barra nas novelas e nos filmes que a gente vê rodados por lá. tudo é bonito mesmo, bonito de doer. bonito de chorar. a notredame de costas parece uma aranha. a beleza que ataca os olhos e era como se os reis daquela época quisessem realmente assustar quem duvidasse daquela grandeza. me encontrando entre sorrisos de irmãs e beijos de sobrinhas, aqueles picnics com meus velhinhos em st. germain en laye e no jardin d'acclimatation... aquilo sim, preenche o vazio de qualquer amanda nabas silva santos. preenche por meses, porque atualmnente, como uma escriturária triste de poemas de drummond, eu tenho que fazer uma reserva de boas memórias. o lugar mais bonito que eu visitei não sei dizer, talvez um morro em genebra, nao me lembro exatamente o nome. fica no meio do chamonix, na divisa da frança e da suíça, onde a muito gentil olivia veit me levou. olivia é mulher do jan, uma médica alemã que é especialista em doenças tropicais. morou na amazônia. fala aquele português ótimo pros comerciais da volkswagen, ótimo vocabulário e com as palavras cuidadosamente erradas. viajei pro sul com monte de hippies de um grupo de teatro mambembe onde todo mundo é multitalentoso e trabalha muito, cortei cana em lugares paradisíacos, subi em pontes de pedra do século XVI, conheci igrejas da idade média, mas não sei se algo, aliás, acho que nada me assustou como o quadro do caillebotte: 
tudo bem, o orsay é uma loucura, tem aquelas maquetes, tem tantas esculturas, mas o quadro do caillebotte me deixou sem ação. só sei que olhava aquele quadro que eu conhecia desde uma época antiga na minha vida, e ficava embasbacada como ele conseguia pintar com tanta perfeição aqueles três caras plainando o chão. aquelas ferramentas que pareciam de fotografia. eu vi aquilo ao vivo e só agora to sentindo baque; de lembrar ainda toda a euforia que o quadro me causou em toda minha vida apenas não no dito do d'orsay. só agora eu vejo o louco de tudo. daqui de campolide eu sinto agora o frio das paredes de ferro, de vidro e as vezes de mármore do orsay. só agora eu lembro das escadas. e só agora me lembro da emoção de ver a bailarina do degas, que eu também ja conhecia e amava. e tantas outras - essas sim eh que valeram mesmo a pena: as que eu nao conhecia e fui capaz de amar à primeira vista. e tudo foi deslumbrante: o passeio ao palácio de versalhes, que eu achava que ficava dentro de paris, mas na verdade fica em versalhes (dã) , alguns quilometros sempre agradáveis dentro do trem quase vazio, bebendo vinho de qualidade - e no calor - tinha que ser o dia inteiro, e íamos eu, cacai, jim, julia, joana, em muitos passeios maravilhosos de trem. um deles ate versailles pra chegar lá e ver um castelão muito brega, todo dourado só pra nos mostrar o que a monarquia queria dizer. que cagavam ouro e construíam de ouro ate os imensos porteirões que deviam ser pra afastar muita gente. não gostei do castelo de versaillles, nem entrei porque nao tava aí pra historia. fui nos jardins, que já valeram o espetáculo.
mas eu tive tanta sorte. eu vi tanta coisa. tanto detalhe. paris, lyon, dijon, dieulefit, (que depois eu descobri que truffaut tinha gravado uma parte de "jules et jim" por lá. quase tive um troço.). montelimard, etc e tal. também saudade da vegetação saudade do alicci de Bari vendido a 1 euro numa latinha fofa, no dia que eu fui na bastille andar. andei andei e andei. uma coisa que, apesar de museu não é tão turística mas me chamou atenção porque fica entre o pigalle e perto da bastilha foi o museu carnavalet, que quase não tem turista. e fica numa rua de uma arquitetura tão maluca que faria aleijadinho chorar. voltei perdida de amores pelo museu carnavalet, que nem é luxuoso, é um velho hotel e tem um cheiro de mofo dos quintos. o carnavalet vale pela decoração de várias épocas, tudo com o chão estalando, placas de publicidades do ano de 1785, representação do quarto de emile zolá, do quarto de proust, com objetos originais.. muita coisa legal assim. portas velhíssimas, pedaços das estátuas que foram destruídas durante a revoluçao. tinha uma pata de cavalo de uma estátua, acho que de luis XIV que parece ter sido arrancada com uma machadada. loucura. vale pelo cheiro de mofo,, vale pela pintura de raguenet, que são como um diário pictórico de uma paris nos tempos de muita crise e incendios,. lá é cheio de destroços. parece um museu da paris que não foi. e na verdade, foi sim. museu picasso fica ali pertinho, mas é meio enganação pra quem conhece picasso.
Escrito por Amanda Nabas às 15h24
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