Meu perfil BRASIL, Nordeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Byelorussian, Arabic, Cinema e vídeo, Arte e cultura, Ecologia, Música, Literatura MSN - amandanabas@hotmail.com
Na mesma pedra se encontram, Conforme o povo traduz, Quando se nasce - uma estrela, Quando se morre - uma cruz. Mas quantos que aqui repousam Hão de emendar-nos assim: "Ponham-me a cruz no princípio... E a luz da estrela no fim!"
Mário Quintana.
e algumas pessoas impressionam pelo tamanho da estrela e da cruz, que carregam juntas, pela vida toda.
ontem teve bar de papo no gino's e hoje tem festival em ouro preto. sobre o bardepapo: eu acho o cleo um ator extraordinário, tem a estrela mesmo. tinha uma outra menina lá muito boa.
agora me lembrando, foi muito bom o espetáculo. sempre umas aspas não creditadas (dessa vez foi monty python) mas nada que desabone o show.
caro amigo alemão, eu tomo - ainda que de forma diletante - há 16 anos e até hoje não sei direito. o daime é quem quer que o tome. uma vez dentro de você, ele - uma bebida de enorme poder - dá a ti mesmo o poder, nem sempre gratificante, de se autoconhecer. no peito e na raça, sem escapadas e sem açúcar (daime é amaríssimo, o pior gosto que você pode sentir) um gosto de barro com ferro, com árvore e água de azeitona, tamarindo e casca de romã. um gosto severo, que engloba todos os gostos possíveis. que arrepia e já te antecipa a enorme batalha que tem à sua frente.
uma batalha que só é simples na definição: "examinar a consciência"
Estranho, tem tanto o que entender. Porque coitado de quem vai no Daime atrás de aconchego ou pra ser chamado de irmão.... Lágrimas por ele. Tem que entender porque o Daime em certos hinos enaltece a guerra, mas nada a ver com violência ou conquistas territoriais, acho que num campo bem diferente dos de batalha que se conhece. É nossa guerra interna. há algo tão misterioso quando se canta “Peguei a minha espada, foi para guerrear” ou “Quando ouvir falar de São João na Terra é sinal de guerra em todo lugar. “
Esse último sempre me intrigou, pq ao mesmo tempo que pode-se acreditar numa guerra metafórica dos próprios princípios morais (sempre conflitantes à espiritualidade individual e à dificuldade de transpor desejos de melhoria) a consciência aos poucos se sensibiliza e a grande guerra é trazer a esse mundo “real” cheio de egos e armadilhas as lições que se aprende no salão. Eu sei que tenho muito o que aprender vendo pessoas menos impulsivas por aí.
È duríssimo, é difícil.
É o trabalho de uma vida inteira, e maomé que me escute, eu espero que haja uma compensação. Mas que compensação melhor que viver aqui, com tanto risco e provação?
desconheço o descanso, a mente inquieta é minha maior diversão. Mas no daime é tanta bronca, tanto reproach interno que putzgrila; é uma auto-análise sem muito espaço pra divagações, apenas verdades retas e irrefutáveis, pois se trata de uma consciência religiosa, e numa corrente, é guerra pra todo lado, e a guerra é dentro de si, com as balançadas, o ‘entrar no ritmo a qualquer custo’ redenções e perdão, o que mais? Hmmm.... vamos lá. Examinar a consciência, quer guerra melhor pra se ganhar? O mais louco é ver que dançar conforme a música não é só uma metáfora brega; pensar que toda sua mais íntima consciência é examinada num ritual que não deixa espaço pro ego. Tem que deixar correr a corrente, não pode se viajar. Coitado esse outro que toma daime pra viajar.
O ZaZen ajuda nessas horas de se entender o mistério sem questionar, sem tomar marretadas, como quando eu tomava daime no kako, padrinho do Céu da Flor de Ouro, e lá eu questionava tudo, me dava o maior trabalho. Não pode falar nada, pelo menos na doutrina do cefluris, centro de fluxo da luz universal raimundo irineu serra, acho que é isso. Hoje quando vou é mais fácil exercitar a aceitação do mistério mentalizando cada partícula e ângulo semiótico os simbolismos bonitos e muito mais simples do daime, Símbolos simples como o beija-flor, por exemplo. Crê-se que o beija-flor seja o pássaro da cura. Que em cada teto de cada igreja existe uma pata de águia e uma estrela invisível do óctuplo caminho, tudo isso pra ordenar o bailado. E as pessoas de fina sintonia conseguem sair do corpo pra ver sei lá o que. Eu nunca saí do corpo do jeito que eu sempre tive vontade, mas uma vez num lugar, quase na hora de dormir, embalada pelo mar, dei três pulos e cada um mais alto que o outro, e no terceiro eu voei. Me lembro do frio ao chegar na atmosfera.
Dizem tb que o beija flor é o maior predador de ovinhos em ninhos não-vigiados, mas isso não tem a ver com o lance, e ninguém até hoje me provou que é verdade. Os símbolos de adoração ao mar, à lua, às estrelas... acho isso tão feliz e grato do Daime. observado por quem vive na floresta ou no astral e vê coisas que a gente nem imagina. E tem outro grande mistério: a filosofia de um suposto diamante, dos mais límpidos que há e que reside em cada céu de cada igreja, refletindo a luz que se engendra na corrente, como agradecimento de carbono à benção de viver num lugar como esse planeta. o campo feminino pra um lado, o masculino pro outro, formando a swasthya, ou suástica mesmo, alusão ao símbolo usado pelos hindus, que compreende o ciclo e o equilíbrio das coisas em continuum. Cada coisa no daime tem seu lugar.
Enfim, você que sintonizou no blog agora, feche a janela enquanto puder, isso aqui é o blog dum hospício virtual, é isso mesmo, pode se mandar, pois entrou, fica difícil sair.
Me sinto uma maia, ou uma índia bem antes da conquista da américa. Eu sou maia por parte de avô, pelo menos. Noé Santos Maia. E meu pai dizia que tem sangue índio e negro em mim. E uma coisa que eu gosto de eternamente adorar o carinho com o qual as figuras de jesus e nossa senhora são tratados. Não é uma idolização chorosa, (apesar dos choros. É mais humana, mais fraternal. E é uma limpeza. limpar com lágrimas pode não ser impactante quanto regurgitar, mas inunda a alma de reflexões.
O marcão, lá da flor do jagube, que na verdade é um judeu meio mandão, executor de um plano que claramente tava reservado pra ele na igreja linda que ele construiu. além de padrinho é um meio que um tipo um bruxo-showman, que senta numa cadeira que parece um trono, o cara faz um espetáculo à risca de toda liturgia necessária. Os turíbulos vêm às horas próprias, um foguetório arretado em alguns hinos, e muitos parabéns e muitos vivas ao homem que crê ser uma espécie de santo – o tal raimundo – a reencarnação de são joão batista, e que há 115 anos apareceu na amazônia pra reinventar a bebida sagrada que os incas já conheciam desde à época que os deuses eram astronautas..
.. ou alcalóides
e nada disso, nem a lenda, nem os brilhos ou a estrela da igreja são ilusão. eu fui justamente em dois trabalhos longos no ano passado, o aniversãrio do mestre irineu, que não tinha mesmo fim, e era um monte de trabalhos num só, e o mais recente no dia dos três reis magos, seis de janeiro, o trabalho mais doido que eu já fiz.
é o dia do ano que as pessoas fardadas entregam “os trabalhos” e isso é um dos mist´[erios que eu não sei. E os três reis magos então? Me intrigam pacas. são figuras muito bonitas e curiosas do mistério pra mim. Engraçado mesmo. Pq se fala sempre neles? De que parte do oriente vinham? eram seguidores de zoroastro? o que fazia deles magos? Levaram ouro, incenso e mirra. Tá, ok, e aí?
Melchior, Gaspar e Balthazar. Acho muito legal que eles tenham ido lá visitar jesus no nascimento, lá no meio do nada, a viagem pra qq canto quando se mora no deserto realmente tem um valor mais profundo. muito mais barra, com certeza. e eles foram lá, sei lá porque, a estrela avisou e acho de muito bom gosto isso, eles sentirem que o homem tava chegando. no daime o dia de reis somente se canta a confissão. É um hinário hipnótico completamente arrebatador, meio que um mantra, que a gente canta segurando uma vela, e segundo a mãe da branca é essa repetição cada vez mais penosa do hino da confissão (arregalamos os olhos) e “os espíritos rondam a toda no salão, é muito pensamento, muita libação, muito pensamento na confissão” claro, a sensação de fraqueza que eu tive nessa hora era como se os tais espíritos quisessem derrubar os aparelhos como pinos de boliche, e por fim era isso mesmo. Mas não derrubou ninguém, realmente, apesar d’eu pedir pra ficar de joelhos uma hora. Na realidade eu queria mesmo era deitar. Mas de joelhos era mais de bom tom. o trabalho começou bem cedo, meio dia, rezando um terço, pq era um festival, nunca tinha rezado um terço inteiro. teve um intervalo muito bom por volta das 6. me ofereceram um colchão e eu deitei, agradecida, vendo as crianças brincarem perto de mim. uma criançada do barulho, uma alegria. qdo acordei comi ávida sempre essas comidas que nunca são exatamente saborosas, mas há de se respeitar, pq são feitas sob a maior estima e consideração pela nossa saúde.
pro meu paladar de sabores fortes da terra , nada nunca tem sal nem açúcar suficiente, e daí?. Talvez evolução espiritual mesmo seja comer comida de esquilo, sem precisar de tempero. covardia isso... com tanto tempero maravilhoso nesse mundo. e não tem jeito, se nêgo se alia a uma seita, modus vivendi, ou grupo, sempre a primeira coisa que altera é a alimentação.
é uma onda de comer cada dia um trem diferente q eu vejo como é bom a gente, apesar de chato, ser simples nessa vida. Tem gente que torce a cara pra qq comida. eu como qq coisa, posso passar semanas só com biscoito de polvilho, sem chiar. viveria o resto da vida comendo passas, requeijão, batata, azeitona, palmito, agrião e rúcula, amendoim, manga, alface, mexerica, ovo frito e lasanha 4 queijos. macarronada também.
Em seguida a vestimenta, mais legal ainda que na seita da qual faço parte algumas pessoas usam fardas, mulheres fardadas usam coroas e alegrias, umas fitinhas coloridas, maior crença em ritos e mensagens. show. as luzes se acendem ao entoar de ‘sou luz, dou luz’, foguetes estouram e alertam tudo, o espetáculo recomenda o espírito a buscar lá nas profundezas o medo arraigado dos trovões, do fim do mundo e a música é ouvida como uma nova concepção de sentidos. Mais apurada que a audição, a escutação aguçada se desenvolve sob efeito do poder da bebida.
essa hora me veio o medo primitivo de asterix do céu cair sobre a minha cabeça. sinos pareciam trombetas. Muito foguete, os hinos entoados afinadinho. Depois ainda teve um trabalho das crianças, uma homenagem do daime, que sempre fala viva as crianças. Foi bonito, realmente tinha uma criançada numerosa por lá, parecia uma creche, e todas muito bonitas, alegres. engraçado ver menininhas fardadas, isso ainda me faz rachar o bico. compenetradas que só vendo. E sempre lembro da Aninha, filha do Kako, que uma vez indagada se tomava muito daime , respondeu: “Só quando eu preciso”. ela devia ter uns 9 anos quando disse isso, e eu achei a coisa mais engraçada do mundo. Meninos fardados já não tinha tanto, acho que é pq as menininhas tem coroinhas. Deviam dar uma coroa pros meninos tb; ou uma espada, sei lá. Um objeto mais significativo.
foi legal, no fim das contas fo tudo muito legal. Deus me livre causar acessos. e há tempo para o ego. quase sempre seguidos de um sermão severo, como só a própria consciência de cada um pode ser. então tem muita gente que não sofre com essa consciência, para elas é que o daime não serve mesmo. ou serve, sei lá. me alegra que ninguém ta ali pra fazer julgamento fora de si mesmo.
vi uma sujeita magrinha, tomar uma espinafrada duma madrinha durante um intervalo do trabalho que eu fiquei de cara. parecia meio particular, mas foi na frente de uma zaga, e eu vazei de perto na hora. sabe o que lá tinha ocorrido... sabe lá quem tinha razão, sabe lá se alguém tinha, sabe lá, vai saber....e o relho come. E a verdade é que eu comecei do nada a achar o marcão meio sei lá no meio do trabalho. Justo no meio do trabalho, quando ele ficou batendo papo com um outro lá, sentado no trono dele. batendo papo? Como assim?
tudo bem, não se deve reparar em ninguém, mas eu já quase apanhei em trabalho por dar uma palavrinha ou outra e o marcão parecia que tava ali pra governar, só pra ensinar, e que não tem mais nada pra aprender, então resolveu se distrair, conversando. tava vendo a hora que ele ia abrir um jornal ali. Mas enfim, whatever. Sinto falta da igrejinha de Ouro preto, que não existe mais. Eu que tinha conhecido o daime num lugar imenso na estrada das canoas, onde quase ninguém se conhece e só tem o padrinho paulo roberto como figura mais respeitável, me apaixonei pela igreja do kako e suas pinturas sumi-ê no no salão. o céu do mar no rio é severíssimo, se vc olhar pro lado toma uma bronca. Nossa, como me deram bronca por lá. Eu achava que daime era quase se alistar na fuzilaria naval quando conheci no céu do mar, aí depois de muitos anos fui na igreja do marcão, e lá é tudo tranquilo. sem neuras. Depois me habituei a tomar numa igreja muito modesta mas a mais linda que eu já vi por causa de uma pintura de uma lua maravilhosa.
Saudade do Céu da Flor de Ouro. Sumi-ê é muito bonito mesmo, é um estilo em que o caboclinho de zoinho puxadinho fica dias, semanas, meses treinando um só traço. Um só traço. Uma só porra de traço, caralho. Meses. Numa folha de papel de arroz e depois numa outra, de folha de ouro, se ele quiser. Pra que? Pra ficar perfeito. O traço é de uma coisa da vida, uma coisa da natureza, mas um traço pode ter a força de uma dinastia, uma família inteira representada por um traço desses. vai lá entender uma coisa dessas. Tem lá em casa uns quadros do kako, um, de bambus que são bambus perfeitos, as folhinhas dos bambus faz a gente prender a respiração por uns segundos, e no outro um copo de leite cujo caule faz engolir em seco. Por causa do peso em cada pincelada, imaginar a escolha do pincel, a manufatura dele, da espessura de cada pêlo e o peso da mão em cada cerda pra fazer em nada diminuída a folha de bananeira do jeito que ela é. Mais bonita, até, pq é uma representação. Eu via o kako ficar desenhando traços no ar em diferentes velocidades um mesmo traço e era quase enervante. Aliás o kako era bem enervante em sua genialidade. Ficar hospedado na casa dele, na igreja era sempre uma delícia pelas coisas que ele contava. Tudo que ele falava fazia sentido, tão lúcido e sempre mostrou uma inspiração e consciência de coisas da terra, de fantasmas, de budistas que me impressionava. Ele comia fazendo um barulho tenebroso, e achava o máximo. Hoje é assim, eu tomo daime na flor do jagube, muito de vez em quando, mas o marcão não é a mesma coisa. por mais que eu goste dele sempre vou me lembrar da última vez que ele conversou com papai e papai comentou sobre o parkinsonismo e o marcão sobre o diabetes e falou de repente "mas dá pra segurar mais uns 5, 6 anos, né joão?" Papai olhou pra mim (eu devia estar com uma cara que nem sei) e hoje não consigo lembrar desse momento sem ir às lágrimas. lágrimas essas realmente tristes, lembrando um momento tão nítido na minha mente, onde começava a idéia de existir sem meu pai. nem cinco nem seis, papai se curou dessa tarefa árdua justo um ano e três meses depois dessa conversa.
e claro meu sangue anta-italiano me faz ter birra do marcão por causa de seu comentário insignificante, mas o daime é estranho até nessas análises, porque diante de tanta verdade que ele te prega e ensina, ele faz com que você possa analisar inclusive o próprio daime e o cara que preside o trabalho, que senta num cadeirão lá, todo chique. vindo de uma religião fundada por um caboclão que nem cantar sabia (Virgem Maria o ensinou) e era um mateiro no acre, é bem estranho adaptar a idéia com aquele trono do marcão bem na minha frente. é isso. essa análise, a maneira como vc toma, se o caminho é aquilo mesmo. E se dispor a negar qualquer coisa que não for jesus. Punk isso. vai negar a ilusão. Vai achar jesus em si , vai! vai achar jesus nos outros. vai achar jesus no vizinho que ouve Busta rhymes e Beyoncé... vai achar jesus no marcão. Vai ver se é f[[acil. por isso eu nunca me fardei, talvez. mas hoje quando me perguntam quando eu tomei pela 1ª vez e eu lembro espantada que faz dezesseis anos, eu fico meio envergonhada. Vejo gente entrar e mais e mais, e os fardados, eles me são familiares de 8, 10 anos atrás, quando eram iniciantes. Perguntam pq eu nunca me fardei. eu digo que estou à paisana, sob difarce pra um trabalho de espionagem. uma dona perguntadeira gente fina me disse no banheiro que tudo tem sua hora. verdade tão grande só pode ser quase risível de tão simples. E ela falou pra mim bem com os olhos abertos, ajeitando a estrela no peito, como se tivesse me falando uma novidade do século. tudo tem sua hora, tudo tem sua hora... hein?..qual seu nome, meu amor? - Amanda. -Tudo tem sua hora, amanda. Ela sorria, super bonitona, desajeitada que só, botando a estrela. Aí eu ajudei. Obrigada, meu bem. Vamo voltar pra corrente? - 'bora.
E eu fiquei com a estrela do papai. Na verdade eu tinha colocado no peito dele, antes do cara da funerária levar o corpo dele. Como é horrível digitar essas coisas. Mas na hora do velório a aurora disse que eu deveria pegar a estrela e guardar comigo. Não seiporque justo a aurora, mas eu acho que eu ia pegar de qualquer jeito, mas ela disse isso e eu fui lá e peguei a estrela dele pra estar comigo, e que quando eu merecer vou botar no peito.
você mesmo tem que se analisar no próprio daime, as recusas, a indulgência, e é melhor mesmo pegar o dicionário e olhar o que é indulgência, pq não tem nada a ver com o lance da igreja romana. as pessoas que tomam daime e voltam, ou nunca voltam, ou nunca vão, ou tomam durante anos e param, voltam e param de novo. Ainda assim o daime é para elas, pois ao contrário da idéia sectarista de outras igrejas que querem se proliferar e proliferar e fisgar os outros a qualquer preço, pra formá-las, o daime prega a união de todas as igrejas, imaginando que todo mundo já ta formado, só falta educação e trato na consciência. O daime se comunica como deve, te marca como cidadão, e não como espectador ou contribuinte. não tem rádios nem canais de tevê e nem revista, apesar de estar sempre na imprensa justo por ser interessante;. É tão séria e fina sua presença no mundo que só fala mal quem é baixo astral mesmo, vc nunca vai ver uma pessoa legal falando mal do daime, e é uma bebida que NÃO É alucinógena mas nem por isso deixa de ser poderosa na consciência. Não tem então como ou porque fazer propaganda de uma crença que é pra todos, mas nem todos são pra ela. Uma dona, mãe da Branca, que estudou com minha irmã, fez um trabalho comigo no céu do mar no rio em 98 (onde não se pode nem espirrar direito e onde se toma daime num copo de requeijão cheio) disse que a farda protege, e que eu deveria me fardar, mas sei lá. Tomar tanto daime.... sei lá.... é minha seita, é minha crença, mas eu acho um excesso tomar de 15 em 15 dias. Pode ser assim comigo mesmo, mas em qualquer época dessa vida o daime vai constar como minha seita, minha crença, e meu professor de muitas e muitas coisas. Nenhuma em vão. Como meu pai diz, ainda, talvez: Je fais parti d’une secte! Et s'appelle SANTO DAIME.
barroso é aqui perto, a pátria pobrinha, sem meias, de que vinícius de moraes falava. vários lugares aqui são: campolide, bairros de barbacena, padre brito, ... fico sempre comovida com as roças de minas que eu conheço desde que comecei a respirar... são lugares tão simplesinhos, de luzinha fraca, mas casas, sempre casas humildes onde ainda se consertam guardachuvas (sem hífen).
é um tempo cruel esse que a china programou pra nós.
transformam aos poucos, lugares cada vez menores, pessoas desde sempre simples, seus hábitos de consertar, de reparar, de preservar pela escolha de se ter o objeto novo.
quando eu morei em barroso já havia uma loja de utilidade do tipo 1,99, no beco do lado do meu, que já devia vender guardachuva, não por 1,99, claro, mas por 6,99 talvez. e agora esse hábil senhor ou senhora que entende tudo dessa engenhosa geringonça vai ter que cobrar quase nada pelos seus consertos, e por pouco tempo.
não me imagino entortando um guardachuva ou uma sombrinha e pensando "Vou levar pra consertar"
no meio da chuva eu dou meia volta e chego correndo até o número 99
o cara iria me olhar, olhar em seguida pro guardachuva e dizer:" qual problema do guardachuva?"
eu ia ter que dizer que virou do avesso no meio da ventania e eu fiquei nervosa, e entortei o cabo do guardachua.
e observando o dano, ele me diria: - vai ter que deixar ele aqui uns 2 dias. a sétima haste quebrou. tenho que esperar buscar uma lá em barbacena.
e de repente, na minha cabeça, barbacena se torna uma cidade moderníssima, onde há tecnologia de ponta. pra guardachuvas.
eu deixo meu nome num papel e tenho que buscar 'lá pra quinta, sexta-feira'
fica em 5 reais.
e os dias passam, as peças chegam lá de barbacena, minha sombrinha é consertada com o maior esmero "essa cliente tem cara de exigente" - e a costura fica muito bem feita, o cano do cabo da sombrinha nunca deslizou tão suave e até uma capinha nova ele fez, porque a minha tava furada.
mas eu não vou saber, não fui nunca lá buscar. tudo por causa do chinês sorridente, que tava fechando a loja de muamba quando eu passei na chuva, e acabou fazendo por 4,90 a feíssima sombrinha com motivo de imensas gérberas amarelas.
volto a barroso na imaginação. torcendo por um mundo onde não deixem de consertar sapatos, brincos, sofás e sombrinhas.
sábado falei numa palestra sobre 1984. acho que se tinha gente lá que tivesse qualquer dúvida sobre o livro, saiu com mais umas 20.
mas falei legal, achei que fosse ficar mais nervosa. 550 pessoas é gente pra burro, um refletor bem na minha cara, me senti a própria julia no quarto 101. (devia ter falado isso)
sou comunicóloga chacrinha: "não to aqui pra explicar, eu vim pra confundir"
a peça foi legal, depois teve happy after hours with my pumpkin, pessoal da fundac trabalha bem, obrigada.
vamos estourar com aqueles que criticam a amy, com uma cartinha pra ela:
amy winehouse: primeiro, seu nome... já não inspira muita quietude mesmo; não faço idéia do que você passou na vida pra ser assim, meio desorientada como parece mas sei que você também não deve saber como chegou assim, tão longe como tanta coisa rolou, e você, via-se, não parecia ter muito controle da situação e foi indo... longe boa notícia é que: VOCÊ É MUITO BOA! E BOTA BOA NISSO. VOCÊ É SUBLIME. de repente, você, de queridinha "maluquinha" do meio pop, virou o novo fígado beliscado de prometeu nesse mundo de mídia abutre que se formou. todo dia, todo dia uma notícia escandalosa sua. confundida com outros ingleses, talvez por se chafurdar na mesma lama, desses libertines, desses feios mais feios que os clashes, você acabou mais agredida que todos eles, mais torpe, rebelde e sempre sozinha...
ninguém se importava em te entender, te defender. ninguém se juntou ao coro da brincadeira de roqueira de hoje, feito vocÊ. talvez pela sua maneira sardônica de brincar com "rehab" todo mundo achou que era tudo isso uma grande piada. sim, uma grande piada e um tanto quanto perigosa, diria raul. hoje suas zoeiras não tem mais graça, amy, as vaias já estão sonoras, e você nem acordou ainda da rebordosa direito... mas certamente liga pra quando dizem que seu show foi um lixo. nunca a imprensa foi tão impiedosa com algumas celebridades e nunca o público se mostrou tão severo diante de coisas que antes, faziam parte do rock n' roll, como atrasos, shows cancelados e vexames em boates.
ai, amy... como te dizer isso? o mundo agora é outro, dear. agora não tem mais onda hippie, nem rockstar, nem rebel fashion... todo mundo agora é star, tudo é meio politicamente correto demais e até atraso em show gera processo, sabia? seu cabelo não é moda, a moda é cabelo lisinho sua magreza não é moda, a moda é ser mais saudável
ninguém te disse isso? que bosta!
pra gostar de um artista hoje, ele tem que ser quase um santo.. vai entender... amy winehouse, vc é uma roqueira quente e estridente, num mundo entediante da música, merecedor dessas bandinhas mornas e chorosas. e ainda por cima sua gravadora teve o desplante de fazê-la regravar o novo disco todo, senão não haveria lançamento. ;.... devia ter mandando essas hienas à merda, amy! sempre foram sanguessugas de todos os artistas. onde eles estavam quando você precisou? agora você fica nessa aí, brigando com todo mundo... agindo como um bichinho do mato indefeso, fica marcando show sem poder comparecer, deixando essa gente te esgotar. pensa bem, amy.... olha o tanto de chance que você ta tendo!! mick jagger te emprestou uma casa numa ilha linda no caribe, onde não tem crack ou heroína; contratou gente pra cuidar de você, pra você melhorar. olha bem porque você faz falta, amy. na arte, na rádio,sua voz faz falta! vc faz falta nas fotos bonitas que nunca mais tiraram de você!
ficam fazendo escárnio, te arremedando... eu vi um monte de gente fantasiada como você no carnaval. era cruel, mas, nossa.. era tão engraçado.
ninguém agüenta mais essas cantoras chatas vomitando billie holiday e arethas franklins sem dar pro gasto. não desanima, não, amy! você é a mistura sensacional de soul, rock, blues, rhythm 'n' blues... aretha, janis, ella e iggy pop que a gente precisava e com muito mais borogodó.
não tenha medo! você pode lançar esse disco às suas custas! você tem cacife, talento e cojones pra enfrentar uma gravadora como essa!
dá-lhe, amy! vambora! mostra sua volta por cima. todas as torcidas por você daqui do brasil, e esperando ansiosamente pular ao som de rehab num show seu na praia de copacabana,
brasileiro é um povo muito pouco criativo em relação a apelidos. não sei se pela linguagem saxônica ser mais fácil, os apelidos em inglês sempre tem uma caracteristica mais definida. falta do que fazer tem gerado pensamentos impressionantemente inúteis no cine cura, que quase não fala de cinema.
até assisti bastante filme recentemente, vou pensar primeiro pra depois falar deles. mas falando dos apelidos, exemplo dessa parca criatividade brasuca é o fascínio em apelidar qualquer loiro de alemão. conheci até hoje pelo menos uns 6 caras apelidados de alemão. marcelo alemão, rodrigo alemão, césar alemão, aqui em barbacena tem o bar do alemão, ou tinha, não sei; tinha o alemão jogador da copa de 86, (que era o maior nego-aço) o alemão do big brother, etc. porque não holandês, ou sueco? apelido aqui ou é diminutivo ou repetição de algum,a sílaba , dudu, dedé, fafá, cacá, vivi, didi, tetê, tití, ou diminutivos que realmente diminuem tudo: marquim, tiquim, zezim, zizinha, nininha, bebeto, e alguns gostam de ser chamados por nomes aumentativos, tipo zecão, carlão, jorjão, tião, pra conferir masculinidade talvez, mas quase sempre sãogordos, mesmo. apelidos de bicho as vezes divertidos. em barbacena tinha uma menina que tinha uma pinta oval, gigantesca bem na bochecha, e o apelido dela era baratinha. realmente parecia que ela tinha uma barata na cara; mas ela não tava nem aí pro apelido, respondia a ele, inclusive. super simpatia a baratinha, não lembro o nome dela.. não sei se é só aqui tb, mas uma mania sinistra de colocar "ti" antes dos nomes masculinos, não sei pra que, mas é feio pacas isso. tipedro, tiléo, tidani, tigú, bem tribal... já em inglês é divertido. Dá pra brincar mais; por exemplo, eu conheci um Justin que o apelido era Just in time. A Ellen Degeneres é chamada de Ellen Degenerated por um pastor americano, engraçadíssimo. e tem o caso da Winona Ryder, que eu acho tb genial pq ela é a maior fácil e apelidaram-na fazendo seu nome virar uma frase: “You wanna ride her?” (algo como : "quer dar uma ´voltinha´nela?") perfeito. em barroso tinha (ou ainda tem) um senhor que um dia vi chamarem de bode, parei pra olhar – imaginando que ia ver um monstro – mas nada, ele é igual a um bode mesmo, e o incrivel é que ele não é feio. ou tra coisa que me irrita e é tipicamente brasileira - talvez por causa dos índios, que são altamente gozadores - é obssessão por falar de cabelo, principalmente de cabelo de preto. cabelo ruim, cabelo sarará, crespo, carapinha, cabelo duro, pixaim, ondulado, ouduoutro, bombril, desgrenhado, anelado, armado, as pessoas tinham que gostar mais de seus cabelos, do jeito que eles são.
tenho um bruta nojo de achar cabelo nas coisas. engulhos imediatos. eu realmente não sei não sei não sei mais nada não sei o que fazer senão suspirar quando ouço mais um imbecil zurrar contra a cota racial nas universidades. ainda mais usando os mesmo conceitos burros de que no brasil existe mesmo é racismo social, que absurdo. como se pobreza, além de condição, fosse raça. Uma discussão não tem nada a ver com a outra, isso é que ninguém entende. Universidade é lugar pra todos, mas não especialmente pra pobres ou ricos. É para todos QUE QUEREM ESTUDAR MUITO. Essa fissura por faculdade é que não dá. As pessoas não se sentindo ninguém pq não foram À faculdade. Gente, faculdade é pra quem gosta muito de ler. Quem gosta de coisas mais práticas, faça um curso técnico e sinta-se tão importante quanto qualquer médico ou advogago, exiba o mesmo orgulho de um metalúrgico alemão.
Universidade é diferente, é importante que tenha cérebro preto por lá cada vez mais. Porque sempre foi algo raro, porque preto sempre trabalhou mais e mais indignamente, “sem estudo”. Por isso que tem as cotas, pra que os pretos não fiquem pra trás. existe a pobreza, que tem que ser resolvida, e pra isso há faculdades públicas e pobre ainda sempre consegue algumas vantagens, ou pelo menos não é o principio mais intransponível, e que nunca manteve – ainda bem - pobres longe da universidade. Agora ainda tem mais facilitações pra entrar em universidade paga. É mais difícil, claro, mas não se paga pra entrar em bibliotecas e existem, pra quem conseguir um arcaico "atestado de pobreza", coisas como desconto em livros, bandejões e tal.
mas nada disso fez ter mais significativamente estudantes pretos na universidade, daí a necessidade das cotas, pra balancear historicamente e não chegarmos a um terror como aquele tratado americano da Curva do Sino, que diz que preto é menos inteligente. se já é difícil pra a maioria pobre, é mais difícil pra uma raça que em sua maioria sempre foi desencorajada e desabituada a escolaridade pela imperatividade do trabalho infantil como tradição. Sempre fizeram preto trabalhar pra cacete no brasil. Preto vagabundo e cachaceiro é uma idéia fantasiosa da cabeça de italianos insatisfeitos com o fim da escravidão. eu só conheci um preto que fosse vagabundo, e eu amava ele, ainda amo, o Mussum. Todos os outros que eu vejo estão sempre magros ou inchados, as mãos empoeiradas de trabalho, ou como janotas de terno e óculos, sempre tendo por obrigação que respirar trabalho. andando em biscrétas com bonés de loja de material de construção, camelôs, garçons, trabalhando desde muito novos. Ninguém nem acha estranho ver criança trabalhar, desde que seja preta. além disso, 75%¨dos pretos no brasil vivem na linha de pobreza. 75 por cento, cacete! vieram como escravos nos porões e nos porões permanecem, cativos por séculos, e não famintos por terra e trabalho, cheios de romance de américa. Ao preto nunca coube sonhar com américa, e até reis de países africanos vinham aqui trabalhar como escravos, como Chico Rei, em ouro preto. Ninguém estuda no primeiro grau a bruta sacanagem que foi a revolta da chibata, traição e vileza dos brancos que mesmo após a lei áurea escravizavam seus marinheiros pretos. E MESMO ASSIM ainda tem gente que acha que preto não sofre aqui, que o brasil só tem preconceito social. que gente desinformada, cruz credo...
eu acho que os pretos merecem uma compensação sim. Uma vantagem à frente de quem sempre escravizou seus pais e avós. há de ter mesmo uma reparação, uma vantagem como as cotas, que são malfeitas, imprecisas e tal, mas que precisam existir para que no futuro NÃO EXISTAM MAIS COTAS. Morou? e a classe média tão emburrecida do país acha que esta vantagem é injusta com os pobres. Hahaha! Boa! nunca defenderam pobres em toda a historia, mas justo agora que alguns afro descendentes resolvem finalmente reivindicar, essas mulas não podem perder a oportunidade de embolar o meio de campo, porque o que há de pior neste país é uma racinha nojenta que odeia o governo lula por isso pra eles quanto pior, melhor. Fuzilem esse povo, pelo amor de deus. Podia tanto dar certo essa fusão de pensamentos entre muitas raças, que muitas se completem pelo acesso e construção da informação. nos eua a historia é mais bem dividida, é bem contada pelos negros e os negros são cientes de todas as diferenças. são outro público alvo, se vestem e falam de maneira diferenciada. quanto maior o ego, mais rico é o figurino em detalhes e a atitude. tinham uns com mania de andar com um pente grudado no cabelo, nunca entendi aquilo e um dia num pátio brinquei com uma preta toda atrevida e disse que se ela quisesse, eu tentaria tirar o pente do cabelo dela. a menina me deu uma olhada sinistrérrima, mexeu os ombros e eu morri de medo, mas sabia que ela não ia me fazer nada ali. sorri. mas ela se sentiu super ofendida e me perguntou de onde eu era. Parei de sorrir e falei pra ela não levar a mal a brincadeira, dizendo: "eu sou muito mais preta que voce, sou brasileira." aí me debochou, virou de lado e riu bem marotamente, aqueles perfil e dentes perfeitos. Michelle.
Ela saiu um pouco antes de mim. chegamos a ficar amigas, eu que nunca gostei de leite, dava o meu pra ela, em troca de nada, algo que ela achava estranho. apesar de ser visível o ódio que ela tinha por qualquer branco, ela foi legal comigo. qualquer, qualquer branco, ela odiava. os negros tem realmente algo de fascinante na revolta que exprimem no olhar. enfim, ainda falando de cotas, eu acho que tinha que ser um pouco diferente sim, o preto que conseguisse a vaga tinha que ganhar tb uma mesada, pra xerox e um computador pra ele usar em casa, com internet. pq essa nova geração, o empacotador do sales que nunca teve livro em casa, mora longe e ganha pouco ainda vai penar de forma desleal numa faculdade, ele que nunca teve assinatura de jornal vai passar um perrengue em sala pela diferença intelectual que se formou, particularmente na escrita. mas SOMENTE com as cotas raciais ISSO PODE MUDAR, pq os filhos dele poderão sofrer um pouco menos, e os netos, tomara, menos ainda, se Deus ajudar o brasil.
uma homenagem ao meu inspirador edgar allan poe, poeta que faria 200 anos em 2009. e se bobear, fez mesmo.
claro, vida longa a edgar allan poe! que tanto trouxe alegria e delírios e arrepios à minha adolescência, com os contos dos assassinatos da rua morgue, com a queda da casa usher, com a própria vida sinistra que ele teve, e acima de tudo, com os poemas annabel lee e o corvo, que eu reproduzo aqui, pra comparar, as traduções de milton amado, fernando pessoa e machado de assis.
triste dizer, mas a do milton dá de dez nas outras duas.
edgar tem parcela de culpa na adolescente esquisita que eu era. sou agradecida a ele por isso. eu achava impressionante o fascínio dele pela morte, o terror psicológico misturado ao romantismo tão presente. e fiquei encantada pela narração dele, um mundo muito além de todo esse aqui quando li o conto "o coração delator" (do qual eu já sabia o final, não sei como) e eu agradeço muito a poe por ter sido tão acessível e ter me feito vontade de aprender inglÊs. e estudei muito com meus discos, meus filmes, pra poder ler no original "the tell-tale heart" e "the raven" e daí veio emily dickinson, charles dickens, wilde e um universo que hoje me faz muita falta: meus 12 anos de idade.
eu andava de calça boca de sino. isso em 1991, antes de entrar essa onda de neo-hippie eu já andava vestida como jodie foster, e jodie foster de 1976, dos filmes que eu amava "a menina do outro lado da rua", "freaky friday" e "alice não mora mais aqui". daí as calças boca de sino, que eu pedia pra mamãe fazer pra mim. ela ia pra máquina de costura e fazia as calças perfeitas, me lembro de 3; uma marron, uma azul e uma salmão que eu usei tanto, até ficar tão ralo o tecido que se eu sentasse numa moeda poderia dizer se era de 50 centavos ou 1 real*.
aos 12 anos você não quer nada mais do que se encaixar, eu era diferente porque não me agradava qualquer coisa,não era qualquer escolinha do professor raimundo que me fazia rir e eu no fundo achava um porre quando alguém chegava na escola imitando um personagem da praça é nossa ou de alguma novela. só que nesse tempo eu tinha autenticidade. eu não fazia questão de me sentar com a "simple trend" pra não me sentir rejeitada. não tava nem aí. eu chegava em casa e meu pai sempre vinha me satisfazer a necessidade de coisas interessantes do mundo, infindáveis inesquecíveis curiosidades, conversas e coisas que valem mais do que tudo, pra mim.
o que houve - eu me pergunto - e os olhos de poe me desviam, decepcionados.
desejar o afeto das pessoas não é nada senão a coisa mais destruidora e suicida do mundo. um perigo pra quem gosta de buscar emoções. poe sabia disso, e em "the black cat" exprime isso bem, na figura do personagem - seu alter ego - que encurralado, num clima de extrema loucura, busca o paradeiro da mulher amada. o terror como pano de fundo se incorpora aos dramas pessoais que ele tentava disfarçar. poe foi apaixonado por várias mulheres, perdeu todas e terminou seus dias flertando com uma namorada de infância, não sem antes passar quase 3 anos desaparecido e encontrado completamente desorientado na rua em estado de delirium tremens; morreu semanas depois não se sabe até hoje se de alguma doença cerebral ou raiva.
eu tenho saudade de um tempo que eu entrava no universo dele, nas magias da literatura e bastava isso. não tinha revolta, nem conflitos grandes. eu tinha meus amigos -também estranhos - eu ia em festinhas dançar de rosto colado, tinha as freiras e as professoras, mas isso era secundário. bom mesmo era ir num sebo e achar um disco dos beatles que eu não tivesse, alguma revista boa de cinema, ficar até de madrugada esperando passar um bergman ou hitchcock no corujão (mesmo que na dublagem a liv ullmann tivesse a mesma voz da fran da família dinossauro) bom era encontrar alguém que se interessasse por coisas tipo poe. era pra mim uma senha que ali estava alguém interessante, meio destoante, com personalidade.
mas aí mudou minha maneira de ver as coisas, ou talvez mudou o mundo. não sei mais diferenciar quem é quem, na multidão. talvez eu esteja me perdendo, por não entender as pessoas e não entedner -até recentemente- que na vida há coisas sérias, há morte, há mistérios e criptogramas insolúveis às vezes por cento e cinquenta anos.
edgar allan poe compôs criptogramas em 1846 cujo enigma só foi dissolvido em 1996, por um grupo de especialistas.
e pedia que mandassem enigmas pra ele resolver. e ele resolvia, postava nos jornais e ainda comentava.
só não conseguiu resolver o enigma triste de sua vida que foi ver gente que ele ama, morrer.
uma atrás da outra, as pessoas que ele amava iam morrendo.
que coisa, edgar, só agora eu entendo como antes de horripilante, era triste a sua escrita. só aogra eu entendo essa dor de saudade que você falava.