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Cine Cura
 


I LOVE T.O.!!!!!!!!!!!!!!....

 

... AND T.O. LOVES ME!!... :))



Escrito por Amanda Nabas às 14h10
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é que narciso acha feio o que não é... eh,,,,... espelhado??



Escrito por Amanda Nabas às 15h36
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GANÂNCIA, que PALAVRA MEDONHA

perdi acesso ao blog ontem. o uol bloqueou meu acesso e quase que não volta mais,  Abismado oooooh.... garanto que sua nuca arrepiou, derramou café na roupa e até ouviu pio de coruja lá fora agora, hein? . pffff... santa estupidez.

 

mas hein? campolide está agora em pé de guerra. cheio de gambés e pastores alemães por causa de linhas de ônibus. briga entre gente gananciosa, e quem sofre é o povo. como não? o povo e às vezes um bode, realmente expiatorio, tadinho.

 

ontem os moradores apedrejaram ônibus, atearam fogo num poste, queimando um transformador. fiquei sem luz na hora da novela que eu adoro criticar, ouvindo ao longe os berros da multidão enfurecida com o tal jair barraca, dono da linha de ônibus gananciosa que tenta tirar a outra linha - mais pobre - daqui de campolide.

jair barraca pra quem não conhece é um desses casos típicos de cidade pequena. um feirante ou carroceiro que fez sua fortuna e entrou pra política. (obviamente explorando muita gente) Ele não é de todo mau, se comparado a satanás ou ao vírus ebola;  e de alguma forma ao pensar nesse nome "jair barraca", chego a questionar a existência da justiça divina. Jair Barraca, o barba azul de barbacena. uma figura gananciosa de quem só se ouve histórias dignas de contos de perrault, tamanha a maldade. recolhe os títulos de eleitor de todos os funcionarios e suas respectivas famílias, os tortura psicologicamente citando taxas de desemprego em reuniões e uma vez demitiu todos cujas famílias não tinham votado nele.

temido e respeitado cão danado, exceto entre o povo irascível daqui.

a rafaela, almoxarife daqui de casa, me contou que ontem no furor da briga sobrou até pra um pobre caprino. mataram um bode preto e penduraram sua cabeça numa cerca. (há um papo muito evoluído de que o jair barraca tem pacto com o demônio. coisa que eu duvido, porque mesmo em situações muito obscuras, ainda é difícil pra uma pessoa fazer um pacto com ela mesma.)

sei que toda vibe nele é nefasta. basta entrar num ônibus do barraca - e eu entro sempre - pra ver a cara dos coitados dos trocadores e motoristas. sempre parecendo que estão indo pro cadafalso em vez de andrelândia.

e claro, a herança subserviente faz com que o esporte favorito de seus ex-empregados seja descer a língua nele, pelas costas. numa das caronas que pego pro centro certa vez foi com um ex-motorista particular dele. disse que "o barraca não sabe tratar ninguém" e disse ainda que ele mesmo - o motorista - teve que arcar com dois consertos nos carros, tamanho o medo que sentia de ser despedido.

mané.

 

jair barraca recebe o carinho da população de campolide

 

 

barraca, claro, deseja força na política, como todo anticristo. seus filhos são famosos por perpetuar essa maldade e o que mais me desespera é que jair barraca consegue o que quer com todo governante dessa cidade, nunca foi alvo de escândalos nem mesmo quando - sendo vereador - era dono de uma empresa concessionária de serviço ao público. nem algum merecido tomate podre na cara! e finalmente, pra ficar bem folhetim, ele ainda impede que velhinhos andem de graça em seus ônibus se a viagem sair qualquer centímetro do perímetro urbano. é o próprio belzebu, mesmo.

sei que fiquei meio passada, ou até meio amarrotada com essa história toda. a ganância nos ensina.. não sei o que, mas ensina. me ensina sobre a imutabilidade das coisas, mesmo com protestos furiosos. porque agora o museu marcier precisa de porteiros, mas ninguém protesta alto quanto a isso. todos que protestaram ontem à noite aqui em campolid estão com suas enxadas ou carrinhos de mão trabalhando bem pianinho. enquanto o bode preto apodrece na cerca e eu escrevo aqui nesse blog besta, desempregada e de pijama;

os funcionários da cemig consertam o transformador estourado ali na estrada e jair barraca conta seus milhões, amplia seus haras e sua frota de onibus em mega transações, onde sempre deve sobrar um troco pra arrematar mais uma tela pra sua protegidíssima coleção de marcier, a maior no brasil.



Escrito por Amanda Nabas às 15h30
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enigmática essa mensagem, não?

pra vocÊ, que não é de barbacena,  andréa não é uma moça muito generosa que usa roupas largas e pode fornecer abrigo a toda população de campolide. é uma linha de ônibus, assim como "barraca". e a população daqui comprou essa briga ridícula.



Escrito por Amanda Nabas às 15h14
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maria das telas

maristela é a artista que fez essa aquarela abaixo. ela tem um ateliê muito legal onde o pessoal do coletivo 77 se reúne e eu a conheci através do fred. já tinha ouvido falar e conhecia sua obra - genial - e q em entusiasmo só se compara mesmo às conversas co' a maristela. a diferença entre nós é de 15 anos, mas parece mais. parece que eu tenho 65 e ela 16. eu que já me sinto mais velha do que sou, quando bato papo com a maristela sempre a vejo num uniforme escolar comendo mirabel com machucado no joelho enquanto eu tricoto e assisto santa missa em seu lar.  ela tem muitas idéias jovens e consegue manter um senso de humor admirável, às vezes ao ponto de incomodar alguns. no festival da loucura - no meio da peça do tudo e tal, pra ser mais precisa - ela cismou que um cara na mesa ao lado tava usando o cachecol que a sogra dela tinha trazido de presente de caxambu. mas cismou de tal forma que eu acreditei, e perguntei pro cara - ator do bar de papo - onde ele tinha comprado o cachecol, tudo aos sons das gargalhadas da maristela . o cara respondeu secamente que tinha comprado no vale do jequitinhonha. soou meio fictício e eu insisti "sério mesmo?... mas parece tanto com um cachecol dela..." pra mais gargalhadas da maristela.
passaram alguns instantes e ela volta com um cachecol (não sei o que raios um cachecol estava fazendo no galpão do cefec) mas era completamente IDÊNTICO ao do cara. mais gargalhadas. sei que uma hora o carinha se cansou do nosso senso de humor e fechou o tempo lá. mas nada demais.  ela botou o cachecol no carro, mudamos de ambiente, de bar e de papo e tudo ficou mais engraçado ainda.

 

acabei de ver que ela e o marquinhos deixaram comentários aqui, que legal. adoro os dois, de coração. maristela me conquistou de cara pelo mondrian de moranguinho que eu - muito distraída - me esqueci de fotografar no festival da loucura, e por ter me ajudado, com muita criatividade, a distribuir os biscoitinhos da sorte azuis. ela chegou a comer vários pra provar às pessoas que eram comestíveis (mais ou menos) e ainda me ajudava a engabelar as pessoas com aquele papo do estranhamento semiótico ,vai entender..... :P

 



Escrito por Amanda Nabas às 15h03
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impressions of cordisburgo

xicão e suas duas mulheres, croissant e chagall. aquarela de maristela guedes. doideira, né?



Escrito por Amanda Nabas às 12h41
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seções nostalgia

 

esse dia foi inesquecível. cheguei na escola, provavelmente atrasada e já havia começado os preparativos pra uma festa junina que ia ter.
não me lembro muito bem como me escolheram pra ficar no meio dessa turba, vestida de balão.

não me lembro mesmo, se foi uma lisonja ou castigo, se foi porque eu era novata na escola ou se porque meu aniversário é em junho. mas sei que a professora não se tocou de que eu não tava entendendo nada. fiquei sem entender. sei que ficaram depois girando em volta de mim, algum ritual estranho mas nem me lembro se tentaram ou não me fazer voar em chamas. acho que dessa vez, não.

mas sei que isso foi em tarumirim, pra onde fomos depois de sair de carangola. sei que eu era feliz e que já comia sozinha, usava conga e pulava carnaval vestida de palhaço no clube vivaldão.



Escrito por Amanda Nabas às 20h38
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- pai.... tô com sono... conta uma história pra eu dormir?

- zzzzzz....

 



Escrito por Amanda Nabas às 20h30
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Escrito por Amanda Nabas às 20h27
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homenagem à frança. texto mastigadim

 

A Trilogia das Cores de Krzystof Kieslowski

por Amanda Nabas

 

bela iréne jacob (valentine)  na cena final de "Trois Couleurs Rouge"

Com uma câmera introspectiva que se importava antes de tudo em humanizar a tela, Krzistof Kieslowski dirigiu antes da trilogia outros três filmes famosos no Brasil: “Não Amarás”, “Não Matarás” e “A Dupla Vida de Verónique”, todos três disponíveis em vídeo e que são obrigatórios para se conhecer a alma desse diretor, que tristemente se decepcionou com o cinema depois de filmar A Fraternidade é Vermelha, que veio a ser sua última obra. Krzistof declarou que não mais queria saber de trabalhar com a sétima arte e nem sequer via mais filmes, disse que o cinema não possuía emoção suficiente para ele e se dedicou à pintura; apenas por poucos meses, vindo a falecer de câncer logo depois, no fim de ’96.

       


Mas emoção é o que há de sobra nestas três pequenas obras-primas que pintam um retrato muito poético, ora pessimista sobre a Europa unificada do fim do século XX. Sobre essa trilogia das cores (da bandeira da França), Kieslowski declarou tê-los feito contra a indiferença, em especial o último (e certamente o melhor), A Fraternidade é Vermelha. Seus filmes são respostas sensíveis e muitas vezes tímidas à frieza do mundo. Os retratos das almas de cada personagem se ligam e culminam com uma das mais belas passagens do cinema, o desfecho d´A Fraternidade é Vermelha, onde há uma simbólica libertação do sofrimento de cada um.
Mas comecemos em ordem, pois para se entender o espírito da trilogia é necessário que se assista aos três filmes, na ordem certa, e de preferência, seguidamente.
”A Liberdade é Azul” conta a estória de Julie, vivida por Juliette Binoche, que acaba de perder o marido e a filha num acidente de carro e com isso começa a ver as coisas de modo diferente, percebendo os outros seres ao seu redor, descobrindo o prazer em se desfazer de tudo, por mais absurdo que isso possa parecer a alguém em luto.

a compaixão de juliette binoche erm "A liberdade é azul"

 A morte não é tratada no filme apenas como perda, mas como simulacro da tal liberdade e a fita tem interrupções, intermezzos de quase dois segundos em determinadas cenas, onde tudo escurece e começa uma música composta pelo marido falecido, o que significaria uma pausa, um pequeno vôo da alma da personagem, uma pausa no dia-a-dia atribulado cheio de pequenos problemas aqui e ali, onde a personagem parece nunca se encaixar. É como se ao perder as pessoas que mais amava, Julie se atirasse com paixão, porém com serenidade a uma reflexão onde se permite uma reaproximação com a mãe, com a vizinha (que representa um antagonismo ao personagem de Julie, por ser uma stripper sem qualquer laço afetuoso com ninguém), com um antigo amor e até com uma amante de seu falecido marido.
Buscando algo de grandioso na vida, ela se surpreende com nenhuma novidade e parece estar nascendo de novo.
É essa a impressão que se tem nas cenas em que ela nada (e ela nada o filme inteiro) , na mais azul piscina já filmada até hoje.
É apoteótica a fotografia deste primeiro filme da trilogia (assim como de todos eles) e ao final da película, você está convencido de que a liberdade é sim, azul, muito azul.

O segundo, “A Igualdade é Branca” é tido por muitas pessoas, justamente, como o menos importante dos três filmes e o menos importante de Kieslowski em toda sua carreira. Na tentativa de fazer uma comédia, o diretor acabou fazendo dele o mais deprimente e mordaz. É cômico, mas extremamente cruel ao retratar a vida de Karol, um polonês que após ser importunado até a loucura e abandonado pela mulher Dominique, (Julie Delpy) Ele se encontra na fria Paris sem falar uma palavra de francês. A situação de nenhum imigrante é fácil em nenhum lugar do mundo, mas no caso de Karol a banda vai tocar de modo diferente. Ele enriquece e começa então a tramar uma vingança para Dominique, querendo que ela sofra, apesar de amá-la loucamente.
O filme fica doentio e perturbador ao lidar com esse paradoxo do amor X ódio, riqueza e miséria, fazendo uma clara analogia ao fim do comunismo. 

  cena de "A Igualdade é Branca"

Tratar do tema de imigrantes em uma trilogia que homenageia os ideais da Revolução Francesa foi o trunfo de Kieslowski, que carregou no gelo e na neve para caracterizar o tom inóspito do filme. Neste vemos que apesar de ser o menos memorável dos três, é onde mais se esclarece a versatilidade de Kieslowski ao utilizar elementos visuais em ricas representações de desigualdade e desespero. 

 Finalmente, “A Fraternidade é Vermelha”, dos três, o mais festejado, mas que não dá pra ser visto (não é recomendado, entenda-se) sem que se veja antes os outros dois. A Fraternidade conta a estória de Valentine e seu encontro com Rita, uma cadela por ela atropelada, cujo dono é um velho juiz aposentado vivido por Jean- Louis Trintignant, que distrai todas as suas horas ouvindo clandestinamente as conversas telefônicas de seus vizinhos. Valentine, docemente vivida por Iréne Jacob, decide levar a cadela Rita ao seu dono e assim conhece o velho juiz, amargurado e só. Nesse encontro, mais que acidental, se revela a face humana do filme, (e de Kieslowski) quando Valentine, apavorada com as atitudes e desesperanças do juiz, (que nem nome tem no filme e parece representar o próprio velho continente) arranca de seus olhos as lentes cor-de-rosa e passa de uma modelo fotográfico conformada e passiva, a uma mulher que quer enxergar a verdade, que é traída, sozinha e resolve agir contra as injustiças, as indiferenças do mundo. Fosse em Hollywood, Iréne Jacob vestiria uma capa, daria uma pirueta e se transformaria na mais nova heroína do cinema salvando Nova Iorque de um ataque aéreo; mas como isso é apenas mais um episódio do cinema nada fantástico de Kieslowski, ela se contenta em salvar do tédio absoluto um velho deprimido, uma cadela moribunda e um irmão viciado em drogas.

Sem apelar para um lado piegas, o filme reúne no fim todas as características humanistas dos outros dois e tem o desfecho que merece. Sem cair nem um segundo o ritmo ou narração, A Fraternidade é Vermelha se firma como um dos melhores filmes de fim de século, um genuíno exemplo do cinema sério e invulgar de Kieslowski, que até hoje sabe emocionar.



Escrito por Amanda Nabas às 15h42
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one or two impressions

sonhei essa noite com o museu d'orsay, e lembrei que não escrevi nada sobre ele. aliás, eu quase nunca escrevo sobre coisas importante aqui.
aí peguei meu caderninho de viagem de paris e fui ver. só escrevi garranchos sobre os museus que hoje nem compreendo. só me lembro o quanto eu estava indiferente por lá nesse dia.

lembro como foi louco e áspero e delicioso estar indiferente a muita coisa em paris. não tem nenhuma forçação de barra nas novelas e nos filmes que a gente vê rodados por lá. tudo é bonito mesmo, bonito de doer.
bonito de chorar.
a notredame de costas parece uma aranha. a beleza que ataca os olhos e era como se os reis daquela época quisessem realmente assustar quem duvidasse daquela grandeza.
me encontrando entre sorrisos de irmãs e beijos de sobrinhas, aqueles picnics com meus velhinhos em st. germain en laye e no jardin d'acclimatation... aquilo sim, preenche o vazio de qualquer amanda nabas silva santos. preenche por meses, porque atualmnente, como uma escriturária triste de poemas de drummond, eu tenho que fazer uma reserva de boas memórias.

o lugar mais bonito que eu visitei não sei dizer, talvez um morro em genebra, nao me lembro exatamente o nome. fica no meio do chamonix, na divisa da frança e da suíça, onde a muito gentil olivia veit me levou. olivia é mulher do jan, uma médica alemã que é especialista em doenças tropicais. morou na amazônia. fala aquele português ótimo pros comerciais da volkswagen, ótimo vocabulário e com as palavras cuidadosamente erradas.

viajei pro sul com monte de hippies de um grupo de teatro mambembe onde todo mundo é multitalentoso e trabalha muito, cortei cana em lugares paradisíacos, subi em pontes de pedra do século XVI, conheci igrejas da idade média, mas não sei se algo, aliás, acho que nada me assustou como o quadro do caillebotte:

tudo bem, o orsay é uma loucura, tem aquelas maquetes, tem tantas esculturas, mas o quadro do caillebotte me deixou sem ação.

só sei que olhava aquele quadro  que eu conhecia desde uma época antiga na minha vida, e ficava embasbacada como ele conseguia pintar com tanta perfeição aqueles três caras plainando o chão. aquelas ferramentas que pareciam de fotografia. eu vi aquilo ao vivo e só agora to sentindo baque;
de lembrar ainda toda a euforia que o quadro me causou em toda minha vida apenas não no dito do d'orsay.
só agora eu vejo o louco de tudo. daqui de campolide eu sinto agora o frio das paredes de ferro, de vidro e as vezes de mármore do orsay. só agora eu lembro das escadas. e só agora me lembro da emoção de ver a bailarina do degas, que eu também ja conhecia e amava.
e tantas outras - essas sim eh que valeram  mesmo a pena: as que eu nao conhecia e fui capaz de amar à primeira vista.
e tudo foi deslumbrante: o passeio ao palácio de versalhes, que eu achava que ficava dentro de paris, mas na verdade fica em versalhes (dã) ,

 alguns quilometros sempre agradáveis dentro do trem quase vazio,  bebendo vinho  de qualidade - e no calor - tinha que ser o dia inteiro, e íamos eu, cacai, jim, julia, joana, em muitos passeios maravilhosos de trem. um deles ate versailles pra chegar lá e ver um castelão muito brega, todo dourado só pra nos mostrar o que a monarquia queria dizer. que cagavam ouro e construíam de ouro ate os imensos porteirões que deviam ser pra afastar muita gente. não gostei do castelo de versaillles, nem entrei porque nao tava aí pra historia. fui nos jardins, que já valeram o espetáculo.

mas eu tive tanta sorte. eu vi tanta coisa. tanto detalhe. paris, lyon, dijon, dieulefit, (que depois eu descobri que truffaut tinha gravado uma parte de "jules et jim" por lá. quase tive um troço.). montelimard, etc e tal.

 também saudade da vegetação
saudade do alicci de Bari vendido a 1 euro numa latinha fofa, no dia que eu fui na bastille andar. andei andei e andei. 
uma coisa que, apesar de museu não é tão turística mas me chamou atenção porque fica entre o pigalle e perto da bastilha foi o museu carnavalet, que quase não tem turista. e fica numa rua de uma arquitetura tão maluca que faria aleijadinho chorar. voltei perdida de amores pelo museu carnavalet, que nem é luxuoso, é um velho hotel e tem um cheiro de mofo dos quintos.
o carnavalet vale pela decoração de várias épocas, tudo com o chão estalando, placas de publicidades do ano de 1785, representação do quarto de emile zolá, do quarto de proust, com objetos originais.. muita coisa legal assim. portas velhíssimas, pedaços das estátuas que foram destruídas durante a revoluçao. tinha uma pata de cavalo de uma estátua, acho que de luis XIV que parece ter sido arrancada com uma machadada. loucura. vale pelo cheiro de mofo,, vale pela pintura de raguenet, que são como um diário pictórico de uma paris nos tempos de muita crise e incendios,. lá é cheio de destroços. parece um museu da paris que não foi. e na verdade, foi sim.
museu picasso fica ali pertinho, mas é meio enganação pra quem conhece picasso.



Escrito por Amanda Nabas às 15h24
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MINESTRONE

Minestrone

Ingredientes:
240g de feijão branco
1 cebola bem picada
1 a 2 colheres (sopa) de manteiga ou margarina
1/2 kg de carne de porco salgada, cortadas em quadradinhos e desalgadas.
2 litros de água ou caldo de carne
1 bouquet garni (salsa, cebolinha,folha de louro)
1/2 colher (sopa) de salsa picada
2 cenouras de tamanho média, cortadas em quadradinhos
1 xícara de ervilha ou 1 lata de ervilha escorrida
1 repolho pequeno ralado no ralo grosso
180 g de tomates sem pele  e picados, ou 2 tomates
90 g de vagens cortadas em pedaços
4 colheres (sopa) de arroz ou de macarrãozinho para sopa (tipo Ave- Maria)
Sal e pimenta-do-reino a gosto
1 colher (chá) de manjericão fresco, picado, ou 1/2 colher (chá) de Manjericão seco
Queijo parmesão ralado

Preparo:
Deixe o feijão de molho de um dia para o outro.
Se a ervilha for seca deixe de molho.
Cozinhe o feijão e quando estiver quase cozido acrescente a ervilha
Numa panela grande, frite a cebola e o alho na manteiga ou margarina. Adicione a carne e o bouquet garni. Cozinhe tampado, em fogo baixo, durante 1 1/2 hora.
Adicione a salsa, a cenoura e as ervilhas (se for usar as de lata, acrescente-as por ultimo), e cozinhe durante 20 minutos.
Adicione o repolho, os tomates, as vagens e o arroz, ou o macarrãozinho, cozinhe apenas até que fique ao dente.
Retire o bouquet garni, experimente o sal  e a pimenta, adicione o manjericão, e sirva com queijo parmesão ralado.

Nota:
O Minestrone é uma sopa mundialmente famosa e há uma infinidade de variações.
Os ingredientes básicos, contudo, são a carne de porco salgada ou o presunto cru.
Uma enorme variedade de vegetais e de macarrão pode ser adicionada ao minestrrone, mas ele deve ser sempre servido com queijo parmesão ralado.

http://tvtem.globo.com/culinaria/receita.asp?EditoriaID=31&codigo=795



Escrito por Amanda Nabas às 20h19
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tuíter

taí uma coisa que eu não entendo. a comunicação sintética do twitter,
só vejo gente falando de seus dias interessantes e suas vidas ocupadas e tantas idéias úteis que me sinto uma nulidade por lá. e não sei se é porque eu não tenho uma agenda tipo:..
"amanda: aterrisando de manhã em sampa. trânsito caótico, reunião com ogilvy às 3 foi desmarcada. acho que vou dar um pulo no mb e tomar um café enquanto analiso os roteiros. tenho que ter uma resposta da quanta ainda hoje."


agora me pego imaginando o meu twitter:
amanda: chegando como sempre meia hora atrasada na fundac porque vim de campolide até a colônia atrás de uma carroça e em seguida de uma kombi (azul, naturalmente. )
cortejo fúnebre em homenagem ao biasinho na rua XV. tive que deixar o carro nos poucos cm³ que restam sem mototaxis.
almocei um hot dog no mario's, que até hoje não se cansou da minha indignação com o fato d'ele não ter mostarda.

não existe mais mostarda em barbacena. só maionese e ketchup. pergunte a algum comerciante de sanduíches porque raios não tem mostarda e ele vai virar pra você com o sorriso mais despreocupado do mundo e dizer: "vou ficar te devendo... mostarda não tem saída"

não tem saída????
e que saída por acaso tem um lugar como esse, onde os hot dogs tem catupiry e até ervilha mas não tem mostarda?

continua meu twitter: às 3 cobertura da execução de umas peças musicais do projeto "música pra comunidade"  em correia de almeida. as crianças se amarraram. entraram algumas galinhas embaixo do palco, mas faz parte. qualquer coisa de saltimbancos na peça.
às 4 e meia, reunião com o eduardo. dessa vez o telefone demorou mais de duas frases pra tocar. e obviamente era alguém de quem o eduardo gosta.  aí ele abre aquele sorrisão, faz um chiste com a pessoa do outro lado da linha e a partir daí só me resta entortar todos os clipes do porta lápis dele.

5 e 15 eduardo retoma a reunião depois do 3º telefonema urgente de algum museu. dessa vez era a bianca desesperada porque alguém da família passou no museu e levou todas as portas e maçanetas embora.
depois foi a míriam, pra convidar pra apresentação semanal de ballet. essa vai ser curtinha, disse ela: só três horas de duração.
os museus em barbacena, por falar nisso, tão oferecendo altas atividades legais, façam o favor de comparecerem.
se vocE quer fazer teatro, pode morar no vilela, no faria, no monte mário, e perto da estação que vai ter curso rolando de graça nos Museus Museu-Parque Casa de Marcier, no Museu Georges Bernanos, no Bairro Vilela e no Cefec, Centro Ferroviário de Cultura. todos de qualidade e gratuitos.

ontem msm começou uma oficina de teatro sensacional com a dayse bellico, no cefec.  o sensacional é por conta do marquinhos que na verdade disse que foi SEN...SA...CIO.....NAAAAL. ele tá fazendo e adorando.
marquinhos é um xuxu. talentoso.

no futuro tomara que abram um curso pra gente aprender a ser platéia também. porque essa onda pegou mesmo e pelo jeito vai faltar audiência.
já vejo anúncios: "procura-se uma platéia"
 "grupo de teatro renomado, ganhador de 19 prêmios shell, 3 premios texaco e quatro prêmios Lubrax de teatro procura urgentemente uma platéia pra assistir suas peças. o grupo já conta com 786 atores-dançarinos, 91 diretores, 172 cenógrafos e 3.120 roteiristas. se você quer apenas ASSISTIR e CURTIR o nosso trabalho, por favor, procure-nos. paga-se bem pelo ingresso."


puxa, tanto a dizer, tanta foto pra postar. a peça do ponto de partida... que maravilha. gostei demais.

ai, ai... quanta cousa, gente;. meu deus.
ah, vou postar aqui a receita de minestrone pra fazer no inverno. fiz outro dia e ficou legal.



Escrito por Amanda Nabas às 20h13
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Escrito por Amanda Nabas às 22h16
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michael jackson - 1958 - 2009

Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"


Mário Quintana.

e algumas pessoas impressionam pelo tamanho da estrela e da cruz, que carregam juntas, pela vida toda.

 

R.I.P. Michael Jackson Chorão

 

 



Escrito por Amanda Nabas às 12h43
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frugalidade zen no traço sumi-ê de Kako



Escrito por Amanda Nabas às 13h07
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Bico calado

 

 

ontem teve bar de papo no gino's e hoje tem festival em ouro preto. sobre o bardepapo: eu acho o cleo um ator extraordinário, tem a estrela mesmo. tinha uma outra menina lá muito boa.

agora me lembrando, foi muito bom o espetáculo. sempre umas aspas não creditadas (dessa vez foi monty python) mas nada que desabone o show.

___________________________________________________________________________

o frank perguntou o que é o daime.

caro amigo alemão, eu tomo - ainda que de forma diletante - há 16 anos e até hoje não sei direito. o daime é quem quer que o tome. uma vez dentro de você, ele - uma bebida de enorme poder -  dá a ti mesmo o poder, nem sempre gratificante, de se autoconhecer. no peito e na raça, sem escapadas e sem açúcar (daime é amaríssimo, o pior gosto que você pode sentir) um gosto de barro com ferro, com árvore e água de azeitona, tamarindo e casca de romã. um gosto severo, que engloba todos os gostos possíveis. que arrepia e já te antecipa a enorme batalha que tem à sua frente.

uma batalha que só é simples na definição: "examinar a consciência"

Estranho, tem tanto o que entender. Porque coitado de quem vai no Daime atrás de aconchego ou pra ser chamado de irmão.... Lágrimas por ele.
Tem que entender porque o Daime em certos hinos enaltece a guerra, mas nada a ver com violência ou conquistas territoriais, acho que num campo bem diferente dos de batalha que se conhece. É nossa guerra interna. há algo tão misterioso quando se canta “Peguei a minha espada, foi para guerrear” ou “Quando ouvir falar de São João na Terra é sinal de guerra em todo lugar. “

Esse último sempre me intrigou, pq ao mesmo tempo que pode-se acreditar numa guerra metafórica dos próprios princípios morais (sempre conflitantes à espiritualidade individual e à dificuldade de transpor desejos de melhoria) a consciência aos poucos se sensibiliza e a grande guerra é trazer a esse mundo “real” cheio de egos e armadilhas as lições que se aprende no salão. Eu sei que tenho muito o que aprender vendo pessoas menos impulsivas por aí.

È duríssimo, é difícil.  

É o trabalho de uma vida inteira, e maomé que me escute, eu espero que haja uma compensação.
Mas que compensação melhor que viver aqui, com tanto risco e provação?

desconheço o descanso, a mente inquieta é minha maior diversão. Mas no daime é tanta bronca, tanto reproach interno que putzgrila; é uma auto-análise sem muito espaço pra divagações, apenas verdades retas e irrefutáveis, pois se trata de uma consciência religiosa, e numa corrente, é guerra pra todo lado, e a guerra é dentro de si, com as balançadas, o ‘entrar no ritmo a qualquer custo’  redenções e perdão, o que mais?
Hmmm.... vamos lá. Examinar a consciência, quer guerra melhor pra se ganhar? O mais louco é ver que dançar conforme a música não é só uma metáfora brega;  pensar que toda sua mais íntima consciência é examinada num ritual que não deixa espaço pro ego. Tem que deixar correr a corrente, não pode se viajar. Coitado esse outro que toma daime pra viajar.

O ZaZen ajuda nessas horas de se entender o mistério sem questionar, sem tomar marretadas, como quando eu tomava daime no kako, padrinho do Céu da Flor de Ouro, e lá eu questionava tudo, me dava o maior trabalho. Não pode falar nada, pelo menos na doutrina do cefluris, centro de fluxo da luz universal raimundo irineu serra, acho que é isso.
Hoje quando vou é mais fácil exercitar a aceitação do mistério mentalizando cada partícula e ângulo semiótico os simbolismos bonitos e muito mais simples do daime, Símbolos simples como o beija-flor, por exemplo. Crê-se que o beija-flor seja o pássaro da cura.  Que em cada teto de cada igreja existe uma pata de águia e uma estrela invisível do óctuplo caminho, tudo isso pra ordenar o bailado. E as pessoas de fina sintonia conseguem sair do corpo pra ver sei lá o que. Eu nunca saí do corpo do jeito que eu sempre tive vontade, mas uma vez  num lugar, quase na hora de dormir, embalada pelo mar, dei três pulos e cada um mais alto que o outro, e no terceiro eu voei. Me lembro do frio ao chegar na atmosfera.

Dizem tb que o beija flor é o maior predador de ovinhos em ninhos não-vigiados, mas isso não tem a ver com o lance, e ninguém até hoje me provou que é verdade.
Os símbolos de adoração ao mar, à lua, às estrelas... acho isso tão feliz e grato do Daime. observado por quem vive na floresta ou no astral e vê coisas que a gente nem imagina. E tem outro grande mistério: a filosofia de um suposto diamante, dos mais límpidos que há e que reside em cada céu de cada igreja, refletindo a luz que se engendra na corrente, como agradecimento de carbono à benção de viver num lugar como esse planeta. o campo feminino pra um lado, o masculino pro outro, formando a swasthya, ou suástica mesmo, alusão ao símbolo usado pelos hindus, que compreende o ciclo e o equilíbrio das coisas em continuum. Cada coisa no daime tem seu lugar.

Enfim, você que sintonizou no blog agora, feche a janela enquanto puder, isso aqui é o blog dum hospício virtual, é isso mesmo, pode se mandar, pois entrou, fica difícil sair.

Me sinto uma maia, ou uma índia bem antes da conquista da américa.
Eu sou maia por parte de avô, pelo menos. Noé Santos Maia. E meu pai dizia que tem sangue índio e negro em mim.  E uma coisa que eu gosto de eternamente adorar o carinho com o qual as figuras de jesus e nossa senhora são tratados. Não é uma idolização chorosa,  (apesar dos choros. É mais humana, mais fraternal. E é uma limpeza. limpar com lágrimas pode não ser impactante quanto regurgitar, mas inunda a alma de reflexões.

O marcão, lá da flor do jagube, que é um turco completamente mandão, executor de um plano que claramente tava reservado pra ele na igreja linda que ele construiu. além de padrinho é um meio que um tipo um bruxo-showman, que senta numa cadeira que parece um trono,  o cara faz um espetáculo à risca de toda liturgia necessária. Os turíbulos vêm às horas próprias, um foguetório arretado em alguns hinos, e muitos parabéns e muitos vivas ao homem que crê ser uma espécie de santo – o tal raimundo –  a reencarnação de são joão batista, e que há 115 anos apareceu na amazônia pra reinventar a bebida sagrada que os incas já conheciam desde à época que os deuses eram astronautas..

.. ou alcalóides

 

e nada disso, nem a lenda, nem os brilhos ou a estrela da igreja são ilusão. eu fui justamente em dois trabalhos longos no ano passado, o aniversãrio do mestre irineu, que não tinha mesmo fim, e era um monte de trabalhos num só, e o mais recente no dia dos três reis magos, seis de janeiro, o trabalho mais doido que eu já fiz.

é o dia do ano que as pessoas fardadas entregam “os trabalhos” e isso é um dos mist´[erios que eu não sei. E os três reis magos então? Me intrigam pacas. são figuras muito bonitas e curiosas do mistério pra mim. Engraçado mesmo. Pq se fala sempre neles? De que parte do oriente vinham? eram seguidores de zoroastro? o que fazia deles magos? Levaram ouro, incenso e mirra. Tá, ok, e aí?

Melchior, Gaspar e Balthazar.
Acho muito legal que eles tenham ido lá visitar jesus no nascimento, lá no meio do nada, a viagem pra qq canto quando se mora no deserto realmente tem um valor mais profundo.
muito mais barra, com certeza.
e eles foram lá, sei lá porque, a estrela avisou e acho de muito bom gosto isso, eles sentirem que o homem tava chegando.
no daime o dia de reis somente se canta a confissão. É um hinário hipnótico completamente arrebatador, meio que um mantra, que a gente canta segurando uma vela, e segundo a mãe da branca é essa repetição cada vez mais penosa do hino da confissão (arregalamos os olhos) e “os espíritos rondam a toda no salão, é muito pensamento, muita libação, muito pensamento na confissão” claro, a sensação de fraqueza que eu tive nessa hora era como se os tais espíritos quisessem derrubar os aparelhos como pinos de boliche, e por fim era isso mesmo. Mas não derrubou ninguém, realmente, apesar d’eu pedir pra ficar de joelhos uma hora.  Na realidade eu queria mesmo era deitar. Mas de joelhos era mais de bom tom.
o trabalho começou bem cedo, meio dia, rezando um terço, pq era um festival, nunca tinha rezado um terço inteiro.  teve um intervalo muito bom por volta das 6. me ofereceram um colchão e eu deitei, agradecida, vendo as crianças brincarem perto de mim. uma criançada do barulho, uma alegria.  qdo acordei comi ávida sempre essas comidas que nunca são exatamente saborosas, mas há de se respeitar, pq são feitas sob a maior estima e consideração pela nossa saúde.

pro meu paladar de sabores fortes da terra , nada nunca tem sal nem açúcar suficiente, e daí?. Talvez evolução espiritual mesmo seja comer comida de esquilo, sem precisar de tempero.
covardia isso... com tanto tempero maravilhoso nesse mundo. e não tem jeito, se nêgo se alia a uma seita, modus vivendi, ou grupo, sempre a primeira coisa que altera é a alimentação.

é uma onda de comer cada dia um trem diferente q eu vejo como é bom a gente, apesar de chato, ser simples nessa vida. Tem gente que torce a cara pra qq comida. eu como qq coisa, posso passar semanas só com biscoito de polvilho, sem chiar.
viveria o resto da vida comendo passas, requeijão, batata, azeitona, palmito, agrião e rúcula, amendoim, manga, alface, mexerica, ovo frito e lasanha 4 queijos. macarronada também.


Em seguida a vestimenta, mais legal ainda que na seita da qual faço parte algumas pessoas usam fardas, mulheres fardadas usam coroas e alegrias, umas fitinhas coloridas, maior crença em ritos e mensagens. show.
as luzes se acendem ao entoar de ‘sou luz, dou luz’, foguetes estouram e alertam tudo, o espetáculo recomenda o espírito a buscar lá nas profundezas o medo arraigado dos trovões, do fim do mundo e a música é ouvida como uma nova concepção de sentidos. Mais apurada que a audição, a escutação aguçada se desenvolve sob efeito do poder da bebida.

essa hora me veio o medo primitivo de asterix do céu cair sobre a minha cabeça. sinos pareciam trombetas. Muito foguete, os hinos entoados afinadinho. Depois ainda teve um trabalho das crianças, uma homenagem do daime, que sempre fala viva as crianças. Foi bonito, realmente tinha uma criançada numerosa por lá,  parecia uma creche, e todas muito bonitas, alegres. engraçado ver menininhas fardadas, isso ainda me faz rachar o bico. compenetradas que só vendo. E sempre lembro da Aninha, filha do Kako, que uma vez indagada se tomava muito daime , respondeu: “Só quando eu preciso”.  ela devia ter uns 9 anos quando disse isso, e eu achei a coisa mais engraçada do mundo.
Meninos fardados já não tinha tanto, acho que é pq as menininhas tem coroinhas. Deviam dar uma coroa pros meninos tb; ou uma espada, sei lá. Um objeto mais significativo.

foi legal, no fim das contas fo tudo muito legal. Deus me livre causar acessos. e há tempo para o ego. quase sempre seguidos de um sermão severo, como só a própria consciência de cada um pode ser. então tem muita gente que não sofre com essa consciência,  para elas é que o daime não serve mesmo.  ou serve, sei lá. me alegra que ninguém ta ali pra fazer julgamento fora de si mesmo.

vi uma sujeita magrinha, tomar uma espinafrada duma madrinha durante um intervalo do trabalho que eu fiquei de cara. parecia meio particular, mas foi na frente de uma zaga, e eu vazei de perto na hora. sabe o que lá tinha ocorrido... sabe lá quem tinha razão, sabe lá se alguém tinha, sabe lá, vai saber....e o relho come. E a verdade é que eu comecei do nada a achar o marcão meio sei lá no meio do trabalho. Justo no meio do trabalho, quando ele ficou batendo papo com um outro lá, sentado no trono dele. batendo papo? Como assim?

tudo bem, não se deve reparar em ninguém, mas eu já quase apanhei em trabalho por dar uma palavrinha ou outra e o marcão parecia que tava ali pra governar, só pra ensinar, e que não tem mais nada pra aprender, então resolveu se distrair, conversando.
tava vendo a hora que ele ia abrir um jornal ali. Mas enfim, whatever. Sinto falta da igrejinha de Ouro preto, que não existe mais. Eu que tinha conhecido o daime num lugar imenso na estrada das canoas, onde quase ninguém se conhece e só tem o padrinho paulo roberto como figura mais respeitável, me apaixonei pela igreja do kako e suas pinturas sumi-ê no no salão.
o céu do mar no rio é severíssimo,  se vc olhar pro lado toma uma bronca. Nossa, como me deram bronca por lá. Eu achava que daime era quase se alistar na fuzilaria naval quando conheci no céu do mar, aí depois de muitos anos fui na igreja do marcão, e lá é tudo tranquilo. sem neuras. Depois me habituei a tomar numa igreja muito modesta mas a mais linda que eu já vi por causa de uma pintura de uma lua maravilhosa.



Escrito por Amanda Nabas às 13h05
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bambus pintados pelo mestre zen, kako, que hoje não toma mais o daime e encontrou buda novamente.



Escrito por Amanda Nabas às 13h04
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Saudade do Céu da Flor de Ouro. Sumi-ê é muito bonito mesmo, é um estilo em que o caboclinho de zoinho puxadinho fica dias, semanas, meses treinando um só traço. Um só traço. Uma só porra de traço, caralho. Meses. Numa folha de papel de arroz e depois numa outra, de folha de ouro, se ele quiser.
Pra que? Pra ficar perfeito. O traço é de uma coisa da vida, uma coisa da natureza, mas um traço pode ter a força de uma dinastia, uma família inteira representada por um traço desses. vai lá entender uma coisa dessas. Tem lá em casa uns quadros do kako, um, de bambus que são bambus perfeitos, as folhinhas dos bambus faz a gente prender a respiração por uns segundos, e no outro um copo de leite cujo caule faz engolir em seco.
Por causa do peso em cada pincelada, imaginar a escolha do pincel, a manufatura dele, da espessura de cada pêlo e o peso da mão em cada cerda pra fazer em nada diminuída a folha de bananeira do jeito que ela é. Mais bonita, até, pq é uma representação. Eu via o kako ficar desenhando traços no ar em diferentes velocidades um mesmo traço e era quase enervante. Aliás o kako era bem enervante em sua genialidade. Ficar hospedado na casa dele, na igreja era sempre uma delícia pelas coisas que ele contava. Tudo que ele falava fazia sentido, tão lúcido e sempre mostrou uma inspiração e consciência de coisas da terra, de fantasmas, de budistas que me impressionava. Ele comia fazendo um barulho tenebroso, e achava o máximo.
Hoje é assim, eu tomo daime na flor do jagube, muito de vez em quando, mas o marcão não é a mesma coisa. por mais que eu goste dele sempre vou me lembrar da última vez que ele conversou com papai e papai comentou sobre o parkinsonismo e o marcão sobre o diabetes e falou de repente "mas dá pra segurar mais uns 5, 6 anos, né joão?"  Papai olhou pra mim (eu devia estar com uma cara que nem sei) e hoje não consigo lembrar desse momento sem ir às lágrimas. lágrimas essas realmente tristes, lembrando um momento tão nítido na minha mente, onde começava a idéia de existir sem meu pai. nem cinco nem seis, papai se curou dessa tarefa árdua justo um ano e três meses depois dessa conversa.

e claro meu sangue anta-italiano me faz ter birra do marcão por causa de seu comentário insignificante, mas o daime é estranho até nessas análises, porque diante de tanta verdade que ele te prega e ensina, ele faz com que você  possa analisar inclusive o próprio daime e o cara que preside o trabalho, que senta num cadeirão lá, todo chique. vindo de uma religião fundada por um caboclão que nem cantar sabia (Virgem Maria o ensinou) e era um mateiro no acre, é bem estranho adaptar a idéia com aquele trono do marcão bem na minha frente. é isso. essa análise, a maneira como vc toma, se o caminho é aquilo mesmo. E se dispor a negar qualquer coisa que não for jesus. Punk isso. vai negar a ilusão. Vai achar jesus em si , vai!
vai achar jesus nos outros. vai achar jesus no vizinho que ouve Busta rhymes e Beyoncé... vai achar jesus no marcão. Vai ver se é f[[acil.
por isso eu nunca me fardei, talvez.
mas hoje quando me perguntam quando eu tomei pela 1ª vez e eu lembro espantada que faz dezesseis anos, eu fico meio envergonhada. Vejo gente entrar e mais e mais, e os fardados, eles me são familiares de 8, 10 anos atrás, quando eram iniciantes.  Perguntam pq eu nunca me fardei. eu digo que estou à paisana, sob difarce pra um trabalho de espionagem. uma dona perguntadeira gente fina me disse no banheiro que tudo tem sua hora. verdade tão grande só pode ser  quase risível de tão simples. E ela falou pra mim bem com os olhos abertos, ajeitando a estrela no peito, como se tivesse  me falando uma novidade do século.  tudo tem sua hora, tudo tem sua hora... hein?..qual seu nome, meu amor?
- Amanda.
-Tudo tem sua hora, amanda. Ela sorria, super bonitona, desajeitada que só, botando a estrela. Aí eu ajudei. Obrigada, meu bem. Vamo voltar pra corrente?
- 'bora.

E eu fiquei com a estrela do papai. Na verdade eu tinha colocado no peito dele, antes do cara da funerária levar o corpo dele. Como é horrível digitar essas coisas.
Mas na hora do velório a aurora disse que eu deveria pegar a estrela e guardar comigo.
Não seiporque justo a aurora, mas eu acho que eu ia pegar de qualquer jeito, mas ela disse isso e eu fui lá e peguei a estrela dele pra estar comigo, e que quando eu merecer vou botar no peito.

você mesmo tem que se analisar no próprio daime, as recusas, a indulgência, e é melhor mesmo pegar o dicionário e olhar o que é indulgência, pq não tem nada a ver com o lance da igreja romana. as pessoas que tomam daime e voltam, ou nunca voltam, ou nunca vão, ou tomam durante anos e param, voltam e param de novo. Ainda assim o daime é para elas, pois ao contrário da idéia sectarista de outras igrejas que querem se proliferar e proliferar e fisgar os outros a qualquer preço, pra formá-las, o daime prega a união de todas as igrejas, imaginando que todo mundo já ta formado, só falta educação e trato na consciência. O daime se comunica como deve, te marca como cidadão, e não como espectador ou contribuinte. não tem rádios nem canais de tevê e nem revista, apesar de estar sempre na imprensa justo por ser interessante;. É tão séria e fina sua presença no mundo que só fala mal quem é baixo astral mesmo, vc nunca vai ver uma pessoa legal falando mal do daime, e é uma bebida que NÃO É alucinógena mas nem por isso deixa de ser poderosa na consciência. Não tem então como ou porque fazer propaganda de uma crença que é pra todos, mas nem todos são pra ela.
Uma dona, mãe da Branca, que estudou com minha irmã, fez um trabalho comigo no céu do mar no rio em 98 (onde não se pode nem espirrar direito e onde se toma daime num copo de requeijão cheio) disse que a farda protege, e que eu deveria me fardar, mas sei lá. Tomar tanto daime.... sei lá.... é minha seita, é minha crença, mas eu acho um excesso tomar de 15 em 15 dias.
 Pode ser assim comigo mesmo, mas em qualquer época dessa vida o daime vai constar como minha seita, minha crença, e meu professor de muitas e muitas coisas. Nenhuma em vão.
Como meu pai diz, ainda, talvez: Je fais parti d’une secte! Et s'appelle SANTO DAIME. Sorriso



Escrito por Amanda Nabas às 13h00
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copos de leite por Kako



Escrito por Amanda Nabas às 12h17
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